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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

PUNIÇÃO PARA OS AUDITORES SUSPEITOS DE CORRUPÇÃO DEVE DEMORAR UM ANO

A Secretaria Estadual da Fazenda (Sefa) vai abrir procedimentos administrativos disciplinares (PADs) contra 62 auditores fiscais denunciados nas duas primeiras fases da Operação Publicano, deflagradas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) neste ano, e que desarticularam um mega esquema de sonegação fiscal e cobrança de propina de empresários para não aplicar multas referentes a impostos atrasados.

A partir da abertura dos PADs, o trâmite dos processos pode se estender por até um ano. As comissões criadas para apurar possíveis irregularidades de auditores têm um prazo de 90 dias, prorrogáveis por mais 90. Entretanto, em casos excepcionais, esse prazo pode ser esticado por mais 180 dias. Durante esse período os envolvidos serão ouvidos pelas comissões responsáveis, convocarão testemunhas e vão apresentar suas defesas. Entre os envolvidos estão servidores da Receita Estadual de Londrina e da alta cúpula do órgão em Curitiba. A decisão sobre a abertura dos processos deve ser referendada pelo secretário estadual de Fazenda, Mauro Ricardo Costa, assim que ele receber o parecer emitido pelo Conselho Superior de Auditores Fiscais (CSAF) em reunião realizada na quinta-feira (22), em Curitiba.

Durante a sessão, os conselheiros aprovaram os relatórios elaborados pela Corregedoria da Coordenação da Receita Estadual (CRE) que, entre outros pontos, sugerem a abertura de PAD contra todos os auditores e apontam que a medida disciplinar cabível seria a demissão do serviço público. Outro tipo de punição que pode vir a ser aplicada futuramente é a cassação das aposentadorias dos envolvidos. A Corregedoria fez o levantamento a partir das informações que constam das ações penais da Publicano.

Os integrantes do Conselho se manifestaram por meio de nota. "O Órgão Colegiado decidiu por sugerir ao senhor secretário de Estado da Fazenda que sejam abertos os processos administrativos disciplinares em relação ao todos os fatos narrados, cujos requisitos para abertura foram apontados pela Corregedoria da CRE, a fim de que sejam, na esfera administrativa, apuradas as responsabilidades dos agentes públicos em questão."

TRÂMITE
Depois da análise dos casos, os relatórios conclusos são encaminhados novamente para o CSAF que poderá optar pela aplicação das punições ou absolvição dos envolvidos. Esse novo parecer será levado ao secretário que dará ou não aval sobre o posicionamento apresentado pelo Conselho. Pela complexidade do caso e quantidade de envolvidos a serem investigados, a tendência é que todos os prazos previstos para conclusão dos trabalhos sejam esgotados.

Todos os auditores envolvidos estão afastados do trabalho por determinação judicial ou da própria Receita. Mesmo assim eles seguem recebendo salários (muitas vezes, superiores a R$ 20 mil) integralmente. O pagamento para servidores afastados é um direito previsto em lei e só pode ser suspenso em caso de exoneração por processo administrativo. Em outros casos, os réus tiveram o pedido de aposentadoria aprovado pelo CSAF. Esses valores poderão ser cassados caso os envolvidos sejam condenados após esgotamento de todos os recursos cabíveis.

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