O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou na manhã desta
sexta-feira, 23, que não quer ser candidato à Presidência em 2018. Em
entrevista à Radio Metropolitana, de Salvador, Lula disse que gostou de
ser presidente, mas que não tem saudades.
"É bom ser presidente, eu gostei, mas gostei porque deu certo.
Espero que a gente crie condições de ter outros candidatos. Eu já estou
com 70 anos, vou fazer terça-feira (27). Por mais que eu esteja bem e
estou bem, sei que não tenho mais o vigor físico que eu tinha aos 55
anos", disse o ex-presidente. "Sou muito pragmático em Brasília,
sinceramente gostaria que não fosse eu o candidato outra vez. Gostaria
que nós tivéssemos uma pessoa mais nova, mais competente. O Brasil
precisa de novas lideranças", completou.
Lula revelou ainda que, no passado, seu plano era que Eduardo
Campos - candidato do PSB que morreu em acidente aéreo no ano passado -
tivesse sido vice de Dilma na reeleição e fosse sucessor dela em 2018. O
ex-presidente não comentou, no entanto, que Campos havia rompido com o
PT um ano antes de sua morte. "Se tudo tivesse dado certo, como eu
pensei, o Eduardo Campos teria sido vice da Dilma e depois ele seria
candidato a presidente em 2018. Mas, o rio mudou de curso, não deu
certo, vamos preparar agora quem é que está bom para 2018."
Lava Jato
O entrevistador Mário Kertész, com quem Lula tem proximidade,
perguntou ao ex-presidente o que achava das "tentativas da oposição" de
envolvê-lo na operação Lava Jato. Lula disse que está tranquilo e que
considera natural as ações da oposição. "O papel da oposição é tentar
matar o seu adversário. Se não posso na política, vou tentar algum outro
jeito. Antigamente, se esperava atrás de uma moita e matava."
"Eles já estão preocupados com 2018, em evitar a possibilidade
de o Lula voltar - e eu nunca disse a ninguém que vou voltar", afirmou.
Lula disse ainda que a oposição pensa que tem que "colocar um monte de
bazuca e queimar fogo todo dia nesse baixinho para ele não se meter a
besta".
Lula disse novamente que, apesar do que diga a oposição, o PT
não está "morto" e fez uma referência indireta à disputa na capital
paulista em 2016, quando o petista Fernando Haddad tentará a reeleição
para a Prefeitura. "As pessoas são burras de não perceber que cada
eleição é uma eleição, cada cidade tem uma história. O cara não vai
votar no prefeito pensando na presidenta, não. O cara vai votar no
prefeito pensando na sua cidade."
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