Em seu depoimento à força-tarefa da Lava Jato, o lobista e delator
Fernando Antonio Falcão Soares, conhecido como Fernando Baiano citou a
influência de Alexandre Santos, um ex-parlamentar do PSDB, na Diretoria
de Serviços da Petrobras durante o governo Fernando Henrique Cardoso
(1995-2002).
O delator, com grande trânsito no meio político, contou aos
investigadores que conheceu o então parlamentar em 2002 em um
restaurante de um amigo, quando ele ainda estava no PSDB, e foi
informado por este amigo que Alexandre "era muito influente na Diretoria
de Serviços da Petrobras na época".
Alexandre Santos foi filiado ao PSDB de 1994 a 2003, tendo se
filiado ao PP entre 2003 e 2005 e, desde então, está no PMDB, partido
pelo qual exerceu mandato na Câmara até o ano passado. Atualmente ele
não exerce mais mandato parlamentar. Sua mulher Soraya Santos é deputada
federal pelo PMDB do Rio.
Baiano informou ainda que manteve contato com o ex-parlamentar
desde então em outras ocasiões, incluindo eventos sociais, mas que nunca
fecharam nenhum negócio.
Propinas
Apesar de ser a primeira vez que um delator cita a influência de
um político filiado ao PSDB em uma diretoria da estatal durante o
governo Fernando Henrique Cardoso, outros delatores já mencionaram o
pagamento de propinas nos períodos que antecederam os governos do PT.
O ex-gerente de Serviços e também delator Pedro Barusco, por
exemplo, afirmou que recebeu propinas da holandesa SBM Offshore desde o
primeiro contrato de navio-sonda da estatal, em 1995.
Cunha
O delator Fernando Baiano disse ainda que Alexandre Santos o
apresentou ao presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em 2009,
durante um café da manhã no hotel Marriot, no Rio de Janeiro.
"Alexandre comentou com Eduardo Cunha que o depoente (Baiano)
era conhecido e tinha negócios na Petrobras, que representava empresas
espanholas e que tinha uma relação próxima com Paulo Roberto Costa
(ex-diretor de Abastecimento da estatal e delator da Lava Jato), contou o
lobista.
Ainda segundo Baiano, foi a partir desse encontro que ele buscou
estreitar sua relação com Cunha, pois sabia que ele era um político
"muito influente".
O PSDB informou que não tomou conhecimento do depoimento e cabe ao ex-deputado se manifestar.
A reportagem entrou cm contato com a assessoria do diretório do
PMDB no Rio e da deputada Soraya Santos (PMDB-RJ), esposa de Alexandre,
mas não conseguiu localizar o ex-parlamentar.
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