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sábado, 5 de dezembro de 2015

UM EM CADA CINCO JOVENS NÃO TRABALHAM NEM ESTUDAM

A população de jovens que não estudam, não trabalham e não procuram emprego no Brasil - conhecidos como nem-nem-nem - diminuiu no último ano. A proporção de brasileiros de 15 a 29 anos nessa condição caiu de 15% em 2013 para 13,9% em 2014, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais 2015 divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A deterioração do mercado de trabalho tem motivado essas pessoas a buscarem emprego, segundo especialistas. Por essa razão, recuou também o porcentual que se dedica somente aos estudos, de 22,7% para 22,5%. Os dados coincidem com o aumento na fila do desemprego, redução da formalidade e perda de fôlego na renda do trabalhador, de acordo com informações da Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios (Pnad) 2014, utilizada pelo IBGE para a confecção da Síntese 2015.
"Com a queda na renda familiar, essas pessoas que estavam fora do mercado de trabalho se veem forçadas a procurar emprego. Isso não acontece só com os jovens, mas também com os idosos", explicou Tiago Barreira, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), especializado em mercado de trabalho.
Em 2014, o Brasil ainda tinha um em cada cinco jovens sem estudar nem trabalhar. Grande parte morava nas regiões Norte ou Nordeste (45,6%), era do sexo feminino (69,2%) e tinha baixa escolaridade (média de 8,7 anos de estudo), além de se declarar de cor preta ou parda (62,9%). Entre as mulheres na faixa etária de 15 a 29 anos que não trabalhavam nem estudavam, 58,1% tinham ao menos um filho nascido vivo.
"É importante a gente saber quem é essa população que está fora do mercado de trabalho para fazer políticas específicas. Há um porcentual elevado de jovens. Não é só política de emprego, é política de gênero, política de educação, porque essas pessoas têm um baixo nível de qualificação", avaliou Cristiane Soares, pesquisadora da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE.
Enquanto o desemprego entre os jovens preocupa, os idosos avançam entre os postos de trabalho ainda disponíveis no País. A necessidade de complementar a renda no domicílio ajudou a aumentar o nível da ocupação da população mais velha, ou seja, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais que estão trabalhando. A fatia de homens ocupados nessa faixa etária subiu de 40,3% em 2013 para 41,9% em 2014, enquanto entre as mulheres esse contingente de trabalhadoras cresceu de 17,1% para 18,9%.
"Da mesma forma que está havendo um aumento da esperança de vida, há esperança qualitativa. Muitos idosos ainda estão plenamente aptos a trabalhar", disse André Simões, pesquisador do IBGE.
Daniela Amorim
Agência Estado

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