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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

EMPRESÁRIO ARTICULOU ACORDO DE CORRUPÇÃO DIZ GAECO

Promotores sustentam em ação que Kouchi Yui teria auxiliado um amigo e articulado pagamento de propina ao auditor Márcio de Albuquerque Lima

Ricardo Chicarelli/3-12-2015
Advogado que defende empresário e auditor fiscal afirma que prisão "se funda em conjecturas e não tem a mínima consistência"

Influente e atuante nas altas rodas sociais de Londrina, o empresário Kouchi Yui – do ramo cerealista e da moda – está preso desde a quinta-feira passada em decorrência da quarta fase da Operação Publicano, que investiga uma superorganização criminosa incrustada na Receita Estadual de Londrina, com ramificações na alta cúpula, em Curitiba. Amigo do suposto líder da organização, o auditor Márcio de Albuquerque Lima, Yui teria intermediado um acordo de corrupção de R$ 500 mil, asseguram os promotores que atuam no Gaeco na ação cautelar que pediu a prisão de Yui e de outras 46 pessoas (sendo 44 auditores).
De acordo com o relato dos promotores Jorge Barreto da Costa, Leila Schimiti e Renato de Lima Castro, no final de 2013 um empresa de peças – de propriedade de um amigo de Yui – foi autuada em R$ 3 milhões em razão de irregularidades tributárias. A empresa estaria em nome de uma sobrinha do empresário e de outros "laranjas" e, em razão da multa, o empresário decidiu que encerraria as atividades. Porém, por causa das irregularidades, a Receita se recusava a dar baixa.
Neste momento é que Yui, "por ter amizade tanto com o empresário (multado) como com o então inspetor geral de fiscalização Márcio de Albuquerque Lima, iniciou uma aproximação entre ambos". A aproximação surtiu resultados, sustentam os promotores com base nos relatos do delator Luiz Antonio de Souza e de outros investigações: em maio de 2014, a Receita deu baixa na empresa de peças, suprimindo também a multa de R$ 3 milhões. Em contrapartida, o suposto sonegador pagou R$ 500 mil de propina.
Na medida cautelar, os promotores salientam que além de articular o acordo de propina, Yui foi "o responsável pelo recebimento e entrega das parcelas de propina a Márcio de Albuquerque Lima". Dizem, inclusive, que segundo o delator, o contador da empresa "não gostou de ter sido substituído por Kouchi Yui na negociação do acordo, o que lhe impossibilitou de receber "sua parte" como contador". O auditor que havia autuado a empresa e, posteriormente deu baixa, teria ficado com R$ 50 mil, conforme a investigação.
Nas duas primeiras fase da Operação Publicano, em que Lima e sua esposa Ana Paula Pelizari Marques de Lima, também auditora da Receita, são réus, o casal arrolou como testemunha de defesa a mulher de Kouchi Yui.
O advogado Douglas Bonaldi Maranhão, que defende Kouchi Yui e Márcio de Lima, rechaçou os fatos. "A defesa entende que a prisão se funda em conjecturas e não tem a mínima consistência." Maranhão já impetrou habeas corpus em favor do dois e de Ana Paula, também presa na quarta fase da Publicano. Os HCs, assim como outras ações em favor dos demais suspeitos, estão sob a relatoria do juiz de substituto em segundo grau Marcel Guimarães Rotoli de Macedo, da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná.
Loriane Comeli
Reportagem Local-Folha de Londrina.

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