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segunda-feira, 13 de julho de 2015

OPERAÇÃO PUBLICANO LEVANTOU ELEMENTOS ENVOLVENDO PELO MENOS QUATRO POLÍTICOS

A Operação Publicano, responsável por investigar um esquema de corrupção descoberto dentro da Receita Estadual em Londrina, levantou elementos envolvendo pelo menos quatro políticos durante a sua segunda fase. Um dos fatos já revelados, detalhado pelo auditor - e delator - Luiz Antônio de Souza em depoimento, dá conta de que a campanha à reeleição do governador Beto Richa (PSDB) teria recebido cerca de R$ 2 milhões da organização criminosa. O outro, também levantado por meio da delação premiada com o auditor, aponta que uma empresa de fachada teria feito doações à campanha eleitoral do deputado estadual Tiago Amaral (PSB). Os demais políticos supostamente beneficiados, um deputado estadual e outro federal, estão tendo os nomes mantidos em sigilo pelos promotores. Sem competência para investigar os citados com foro privilegiado, o Ministério Público (MP) encaminhou os pontos da investigação relacionados a eles para a Procuradoria Geral da República (PGR), órgão do Ministério Público Federal (MPF), na sexta-feira (10). "São fatos relacionados à Publicano dois", limitou-se a dizer o coordenador do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Londrina, promotor Jorge Barreto da Costa, em entrevista ao Bonde nesta segunda-feira (13).

Saulo Ohara/Equipe Folha
Saulo Ohara/Equipe Folha - Coordenador do Gaeco em Londrina, Jorge Barreto da Costa já garantiu que Publicano terá terceira fase
Coordenador do Gaeco em Londrina, Jorge Barreto da Costa já garantiu que Publicano terá terceira fase


De acordo com ele, o procurador responsável por receber os processos deve se manifestar ainda nesta semana. Enquanto isso, conforme o promotor, o MP dá andamento às investigações envolvendo a próxima fase da Operação Publicano. "Vai demandar um certo tempo. Vamos precisar levantar os nomes dos novos envolvidos e de novas empresas, e, principalmente, verificar novas situações que podem ou não gerar mais denúncias", explicou.

O trabalho de análise será intensificado no decorrer dos próximos dias. Tanto é que o Gaeco não marcou nenhum depoimento para esta semana.

Vale lembrar que a 3.ª Vara Criminal de Londrina aceitou, na última semana, a denúncia do Ministério Público (MP) contra as 125 pessoas investigadas pela segunda fase da Publicano. Foram denunciados 57 auditores, nove contadores e 59 "particulares", entre empresários e advogados, por suposta participação no esquema de cobrança de propina da Receita.

Conforme as investigações, os denunciados atuavam, em distribuição de tarefas e de maneira hierarquizada, para facilitar a sonegação fiscal ou reduzir a imposição de penalidades tributárias para empresários, mediante o pagamento de propina.

Youssef

O coordenador do Gaeco em Londrina também afirmou desconhecer o teor do depoimento prestado pelo doleiro Alberto Youssef à Procuradoria Geral da República na última semana. Acusado de operar a lavanderia de dinheiro do PP no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato, ele teria sido sondado pelos promotores para saber se também poderia colaborar com as investigações da Publicano, principalmente no que se refere ao fato de a campanha à reeleição de Beto Richa ter, supostamente, recebido dinheiro da organização criminosa.

Jorge Barreto da Costa garantiu que as investigações da PGR são "independentes" e não têm nenhuma relação com a apuração que está sendo feita pelo Ministério Público Estadual. "Não tenho a mínima ideia do que está acontecendo por lá", afirmou.

Também procurada pelo Bonde nesta segunda-feira, a assessoria de imprensa do MPF informou não poder revelar detalhes das investigações relacionadas à Publicano.  bonde.com

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