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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

MINISTÉRIO PÚBLICO DO RIO DE JANEIRO PEDE TRASNFERÊNCIA DE SÉRGIO CABRAL PARA PRESÍDIO DE CURITIBA

O Ministério Público do Rio pediu a transferência do ex-governador 
Sérgio Cabral (PMDB), preso em uma penitenciária no bairro de
 Benfica, na Zona Norte do Rio, para um presídio em Curitiba. A
 informação foi publicada na edição desta quinta-feira (18) no jornal 
"O Globo" e confirmada pela TV Globo.
O pedido é referente às regalias tanto em Bangu, onde esteve 
detido anteriormente, quanto em Benfica. Os promotores dizem
 que houve uma "rede de serviço e favores" montada para o 
ex-governador dentro da cadeia.
Eles pediram também que o secretário de Administração Peniten-
ciária (Seap), coronel Erir Ribeiro, seja afastado do cargo, assim
 como outros cinco servidores da pasta. A denúncia cita a proxi-
midade do secretário, que foi comandante da Polícia Militar na 
gestão de Cabral, com o ex-governador. Lembra ainda que Erir 
foi candidato a vereador, tendo o apoio — inclusive financeiro —
 da família Cabral.
Depoimentos feitos ao MP afirmam que toda doação, como a da 
videoteca, passam pelo aval verbal ou escrito do secretário. Os 
procuradores dizem que a reação de Erir Ribeiro em casos
 como este foi apática.
Na cadeia de Benfica, foram encontrados camarão, queijo de
 cabra e bacalhau. Uma resolução da Secretaria de Administração 
Penitenciária proíbe a entrada de produtos in natura nas cadeias 
do estado. Uma das embalagens tinha o nome de Cabral na tampa.
A ação cita a instalação de um "cinema vip", remédios obtidos 
sem prescrição "via WhatsApp" — nas palavras do ex-secretário
 de Saúde Sérgio Côrtes — e visitas e entregas na área externa 
do presídio. Algumas delas feitas por deputados.
Já sobre Bangu cita a "escolta" de agentes penitenciários a presos 
e a suposta "rede de serviços e favores".
Também foram feitos pedidos de afastamento contra Sauler 
Antonio Sakalen, subsecretário da Seap; Alex Lima de Carvalho, 
inspetor de Bangu 8; Fernando Lima de Farias, subdiretor de 
Bangu 8; Fábio Derraz Sodré, diretor do presídio de Benfica; e 
Nilton Cesar Vieira da Silva, subdiretor do presídio de Benfica.

'Cinema vip'

Investigação do MP aponta que Sérgio Cabral chamou missionários
 de uma igreja evangélica, que já faziam orações na cadeia, à 
biblioteca do presídio, onde pediu que assinassem um termo 
falso de doação. Cabral teria dito a eles que fez uma "vaquinha", 
com os companheiros presos, para a compra do home theatre. 
Cabral nega.
Os procuradores afirmam que "mesmo em cárcere (ou suposto 
cárcere) o réu Sérgio Cabral continua a desempenhar aquilo pelo
 qual encarcerado foi: a gestão da coisa pública em seu benefício
 pessoal".

Bangu

Imagens do circuito de segurança mostram presos circulando
 livremente, fora do horário de banho de sol. O ex-governador
 aparece tendo regalias que superam até mesmo os padrões de
 Bangu 8. Recebia visitas fora de hora, na sala da direção do
 presídio.
De acordo com o livro de registros, a data e a hora em que Sérgio
 Cabral era levado até lá coincidem com a presença em Bangu 
do filho dele, o deputado Marco Antônio Cabral (PMDB).
Como mostrou a TV Globo, até as conversas com os advogados 
fugiam do padrão. O regulamento determina que o contato com
 o cliente seja feito num local específico: o parlatório. Mas as câmeras
 mostram que Sérgio Cabral saía dali e caminhava até o hall de
 entrada do presídio. Os advogados davam a volta por fora e 
chegavam ao mesmo local, mesmo em dias de chuva.
As notícias da vida fora dos muros chegavam depressa ao ex-
governador. No dia 17 março, ele foi cercado no corredor e recebeu 
abraços, cumprimentos e o carinho dos companheiros de cela e 
de presídio. Sérgio Cabral retribiu emocionado.
O dia e a hora coincidem com a notícia de que a ex-primeira 
dama, Adriana Ancelmo, iria sair de Bangu para a prisão 
domiciliar. No fim de maio, os 146 presos de Bangu 8 foram
 transferidos para a cadeia José Frederico Marques, em Benfica.

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