O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou nessa quinta,
18, existir um contrato feito "há mais de 13 anos" com a Brasif S.A.
Exportação e Importação, empresa que, segundo a jornalista Mirian Dutra -
com quem o tucano teve um relacionamento extraconjugal nos anos 1990 -,
foi usada para repassar uma mesada de US$ 3.000 a ela entre dezembro de
2002 e dezembro de 2006. O tucano, no entanto, disse não ter condições
de se manifestar sobre os detalhes até que a empresa preste
esclarecimentos sobre o assunto.
Mirian afirmou ao jornal Folha de S.Paulo que um contrato
fictício de trabalho com a Brasif era usado para repassar a mesada. A
empresa foi concessionária das lojas duty free nos aeroportos
brasileiros nos anos 1990 e atualmente atua em diversos segmentos.
"Desconheço detalhes da vida profissional de Mirian Dutra. Com
referência à empresa citada no noticiário de hoje (ontem), trata-se de
um contrato feito há mais de 13 anos, sobre o qual não tenho condições
de me manifestar enquanto a referida empresa não fizer os
esclarecimentos que considerar necessários", disse o ex-presidente.
Fernando Henrique afirmou que os recursos destinados à
jornalista "provieram de rendas legítimas" do seu trabalho. "Depositadas
em contas legais e declaradas ao IR, mantidas no Banco do Brasil em NY/
Miami ou no Novo Banco, Madri, quando não em bancos no Brasil."
Segundo Mirian, que na ocasião era funcionária da TV Globo, o
contrato previa que ela fizesse análise de mercado em lojas
convencionais e de duty free. Mirian admitiu ao jornal, porém, que nunca
esteve em uma loja para trabalhar. De acordo com ela, o contrato era um
meio para receber dinheiro de FHC e ajudar a sustentar o filho dela,
Tomás Dutra.
DNA
Em sua nota, o ex-presidente também diz que sempre ajudou Tomás,
apesar de os testes de DNA não terem reconhecido sua paternidade.
"Sempre me dispus a fazer qualquer outro teste que os interessados
julgassem conveniente. A despeito disso, procurei manter as mesmas
relações afetivas e materiais com o Tomás."
O ex-presidente também relata que continuou a pagar a matrícula e
sustento de Tomás em uma "prestigiada universidade americana". "Da
mesma forma, doei mais recentemente um apartamento a ele em Barcelona,
bem como alguns recursos para fazer os estudos de mestrado e, quando
possível, atendo-o nas necessidades afetivas". Ao jornal, o
ex-presidente havia negado ter enviado dinheiro para Mirian Dutra por
meio da empresa.
Procurada pelo jornal O Estado de S.Paulo, a empresa Brasif não se manifestou até a conclusão desta edição.
Por meio de nota, a TV Globo informou que "jamais foi avisada"
pela jornalista de supostos contratos fictícios que a profissional teria
firmado com Brasif.
Contrato. Mirian afirmou ainda na entrevista que começou a
receber a ajuda financeira em 2002, quando seu contrato com a TV Globo
foi alterado e sua remuneração diminuída.
A emissora disse no comunicado que revisou o contrato da
"remuneradora" em 2004, não em 2002, "tudo segundo a lei vigente no país
em que trabalhava (Espanha)".
A jornalista havia tratado da relação com FHC também em entrevista à
edição deste mês da revista BrazilcomZ, publicada na Espanha. As
informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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