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quinta-feira, 23 de julho de 2015

DELATOR DETALHA PARTILHA DE R$ 5 MILHÕES DE PROPINA NA RECEITA ESTADUAL DE LONDRINA

Durante o período em que Luiz Antônio de Souza foi inspetor regional de fiscalização da Receita Estadual em Londrina, o suposto esquema formado por auditores fiscais teria arrecadado mais de R$ 5 milhões em propina junto a cerca de 70 empresas. A informação foi confirmada ontem pelo advogado Eduardo Duarte Ferreira, que defende Souza. Ele ocupou o cargo no segundo semestre do ano passado, até o começo de janeiro, quando foi preso em flagrante com uma adolescente, num motel da cidade, onde faria um programa sexual. Souza está colaborando desde maio com as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na Operação Publicano e esteve ontem na sede do órgão, onde prestou novos esclarecimentos.Preso desde janeiro, o auditor fiscal da Receia Estadual Luiz Antônio de Souza firmou acordo de delação premiada com o Gaeco e vem prestando novos depoimentos (Crédito: Roberto Custódio/JL)
A ascensão de Souza ao cargo aconteceu devido à “dança das cadeiras” provocada pela ida de Márcio de Albuquerque Lima, então delegado da Receita em Londrina, para o cargo de inspetor geral de fiscalização, sendo responsável pelo setor em todo o Estado. Conforme Duarte Ferreira, as informações com os nomes das empresas, os valores pagos e como eles foram divididos entre auditores, chefias e advogados ou outras pessoas que tenham feito a intermediação da propina estão em um pen drive apreendido com o delator. O material está em código e só Souza teria condições de “traduzi-lo”.
Segundo o advogado, das cerca de 70 empresas, a maioria não tinha sido denunciada nas duas fases anteriores da Operação Publicano, que investiga a denúncia de que auditores, contadores e empresários teriam formado uma “organização criminosa” para facilitar a sonegação fiscal mediante o pagamento de propina. “Ele está detalhando cada situação, quanto o fiscal recebeu, quanto foi enviado para Curitiba”, explicou Duarte Ferreira. O advogado afirmou que agora seu cliente vai detalhar cada uma das situações.
Conforme as declarações prestadas até aqui por Souza, metade da propina obtida junto a empresários com grandes dívidas tributárias ficava com o auditor responsável pela fiscalização. O delegado e o inspetor regional ficavam com 20% cada um e 10% eram enviados para Curitiba, para o inspetor geral de fiscalização.
O Gaeco não quis comentar as declarações do advogado. Procurada pelo JL, a promotora Leila Schimiti disse apenas que Souza está colaborando com o esclarecimento de informações sob investigação.  JL.

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