O escrivão de Polícia Civil, Osmar Vieira, é morador do município de São Jerônimo da Serra (Norte Pioneiro) e uma das vítimas das chuvas torrenciais que atingiram o Estado no último fim de semana. Sua casa foi invadida por uma mistura de água, lama, ossos de cadáveres e dentaduras de pessoas mortas. Na noite da última sexta-feira, por volta das 20 horas, o muro do cemitério municipal estava represando as águas da chuva, ameaçando que o muro ruísse diante do volume de água tão intenso. Para evitar uma tragédia maior, um funcionário abriu um buraco para que a água escoasse do cemitério, mas como havia um desnível entre o terreno e as residências da rua de baixo, o problema só mudou de local e a força das águas acabou destruindo o muro de arrimo da casa de Vieira.
Segundo
ele, todos os cômodos da casa acabaram tomados pela lama e pelos restos
de cadáveres, o que inviabilizou que o morador pudesse reaproveitar
qualquer coisa, desde móveis, roupas, colchões e eletrodomésticos. "Tudo
ficou contaminado", resumiu. A prefeitura retirou três caminhões
caçamba repletos de entulho de dentro de sua casa. "A Defesa Civil
recomendou que evacuássemos a residência. Neste lado da rua moram de 50 a
60 pessoas e todas elas tiveram que sair de suas casas, já que o muro
do cemitério ainda pode cair. Não é um problema do prefeito atual, já
que isso aconteceu em outras gestões e nunca vieram ajudar. O prefeito
atual foi o primeiro a vir aqui, ceder máquinas e a tentar ajudar",
relatou.
PREJUÍZO
Vieira
contabilizou um prejuízo de R$ 15 mil com a situação. "Só no muro de
arrimo eu gastei R$ 5 mil. O maquinário que retirou o entulho de casa
estragou a calçada. Além disso perdi as roupas, móveis e
eletrodomésticos". Ele também relatou que perdeu fotos, documentos da
faculdade, e outros objetos pessoais que possuíam valor afetivo. Não há
dinheiro que pague. "Dá uma tristeza muito grande. Tem coisas que o
dinheiro recupera e tem coisas que o dinheiro não tem como recuperar,
pois envolve a questão psicológica", declarou. Na tarde de ontem ele
ainda estava na sua casa, tentando recuperar o pouco que sobrou e que
não foi contaminado, mesmo com o alerta da Defesa Civil para que
deixasse o local. O Adjunto da Defesa Civil do 3º Grupamento de Bombeiros, Major Wilson Oliveira Paulino, destacou que a prefeitura de São Jerônimo só solicitou apoio para a evacuação das residências inundadas e as que podem ser atingidas por uma eventual queda do muro do cemitério e águas contaminadas. Fonte: reginaldo saturnino

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