Durante a primeira audiência, a juíza da 6.ª Vara Criminal de Londrina, Zilda Romero, deverá ouvir os argumentos do Ministério Público (MP) e da defesa dos acusados, além de depoimentos da vítima e dos próprios suspeitos. "Todas as partes vão participar da audiência. Ou seja, o juiz, a promotoria e os advogados dos acusados", explicou Suzana de Lacerda, acrescentando que, obrigatoriamente, a adolescente de 15 anos vai ser ouvida. "A gente precisa produzir a prova em todo e qualquer processo em juízo", argumentou.
Saulo Ohara/Equipe Folha
Questionada se acredita que Luiz Antônio de Souza vai querer se manifestar durante a audiência, a promotora desconversou: "Vai depender da estratégia da defesa dele". Vale lembrar que o Gaeco tentou ouvir o auditor fiscal em diversas oportunidades, mas ele se manteve calado todas as vezes. O Bonderecebeu a informação de que o advogado Walter Bittar só defende Souza no caso em que ele éacusado de improbidade administrativa. Já o defensor do auditor no caso de exploração sexual, Alessandro Silvério, não foi encontrado pela reportagem na tarde de hoje. O Bonde deixou um recado com a secretária do advogado, que é de Curitiba, e aguarda retorno.
Suzana de Lacerda disse, ainda, que a Justiça pretende realizar diversas audiências em maio, pelo menos uma por semana. "A pauta da 6.ª Vara Criminal está cheia, mas a juíza tem feito esforços para que isso efetivamente aconteça", observou.
Histórico
Até agora, o MP comprovou a participação de doze homens no esquema de exploração sexual, entre eles ex-agentes públicos, auditores da Receita Estadual e empresários, e de diversas aliciadoras. Dez dos "usuários" da rede foram presos e outros dois seguem foragidos. Conforme as investigações, os acusados teriam mantido relações sexuais com mais de 50 adolescentes em Londrina no decorrer dos últimos 13 anos. O grupo responde a 16 processos na Justiça.
A promotora Suzana de Lacerda também finaliza uma denúncia contra os empresários Walid Kauss e Antônio Crippa Neto, presos pelo Gaeco no último dia 10 por participação no esquema.
Kauss, inclusive, chegou a admitir que manteve relações sexuais com duas garotas, mas alegou que não sabia que elas eram menores de idade. "Sou um homem solteiro", justificou. O advogado dele, Ronaldo Neves, apresentou nesta tarde pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). "Não há provas materiais que justifiquem a prisão do meu cliente", observou. De acordo com o advogado, o desembargador responsável pela avaliação do pedido ainda não havia proferido sua decisão até as 20h30 desta quinta, deixando a resposta do habeas corpus para a manhã desta sexta (24).
Já Crippa Neto está em liberdade desde a última sexta-feira (17), após concessão de habeas corpus impetrado pelos advogados Lilian Moraes Guilherme e Miguel Salih El Kadri.
O Ministério Público continua com o trabalho de identificação de novos suspeitos e vítimas. "Acredito que teremos situações novas nos próximos dias", concluiu a promotora. bonde.com
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