.

.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

GAECO ABRE NOVO INQUÉRITO DENTRO DA OPERAÇÃO PUBLICANO

O surgimento de quatro novas denúncias de cobrança ou pagamento de propina na Receita Estadual levou o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) a abrir um novo inquérito dentro da Operação Publicano. As prisões dos auditores fiscais realizadas na semana passada são fruto do que o delegado Alan Flore chamou de “quatro novas situações” que fazem parte do novo inquérito. Cláudio Tosato, Iris Mendes da Silva e Orlando Aranda foram levados ontem para prestar depoimento, mas todos ficaram em silêncio.
O advogado de Tosato e de Silva, Wesley Tomaszewski, disse que seus clientes não colaboraram porque não conhecem totalmente o inquérito. O advogado afirmou que seus clientes são inocentes e negam as acusações de que teriam cobrado propina.
Segundo Tomaszewski, Silva foi acusado por uma empresa autuada em R$ 4 milhões por sonegação de impostos. A autuação foi feita por Silva. Na versão da empresa, a autuação aconteceu porque o auditor não teria recebido os R$ 400 mil de propina. O advogado disse que o empresário denunciou seu cliente porque foi preso e queria se livrar da acusação. De acordo com Alan Flore, essa prisão não existiu. O empresário foi apenas “convidado” a depor. “Não teve qualquer tipo de mácula no auto de infração. A empresa falou em propina, mas o auto foi lavrado”, argumentou o advogado. “[O empresário] reconhece a sonegação e agora tenta atribuir culpa ao fiscal”, reforçou Tomaszewski, afirmando que não há “credibilidade do delator”.
Quanto ao caso de Tosato, a denúncia é de que ele teria cobrado R$ 50 mil de propina para não multar uma empresa. Nesse caso, Tomaszewski disse que não teve acesso ao auto de infração e não sabe se ele existe.
Flore disse que a postura dos auditores fiscais de permanecer em silêncio no depoimento de ontem não surpreendeu. Ele lembrou que essa tem sido a postura dos auditores presos até aqui: “eles não colaboraram com as investigações”. O delegado afirmou que é possível que outros três auditores que já estão presos por outras situações podem ser incluídos nesse inquérito.
Denúncia
O outro inquérito da Operação Publicano, no qual são investigadas 28 pessoas, sendo dez auditores fiscais, já foi concluído e enviado ao Ministério Público. O MP tem até sexta-feira (cinco dias) para oferecer denúncia. Nesse primeiro inquérito, dez auditores fiscais tiveram a prisão preventiva decretada, dos quais dois estão foragidos: Miguel Arcanjo Dias e Márcio de Albuquerque Lima. Lima foi inspetor geral de Fiscalização da Receita Estadual até o começo de março, quando o Gaeco cumpriu o mandato de busca e apreensão no escritório dele, em Curitiba. JL.

Nenhum comentário:

Postar um comentário