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terça-feira, 7 de abril de 2015

CONTADOR REVELA QUE LUIZ ABI FICARIA COM R$ 280 MIL QUE GOVERNO DEVIA PARA A EMPRESA PROVIDENCE

O empresário Luiz Abi Antoun, primo em sétimo grau do governador Beto Richa (PSDB), iria ficar com os R$ 280 mil que o governo do Estado devia para a Providence Auto Center, por serviços que já tinham sido prestados. O pagamento não chegou a ser feito. A informação está no depoimento prestado pelo contador José Wilson de Souza no dia 16 de março, quando foram cumpridos os mandados de prisão contra Abi, Ismar Ieger, que aparece como proprietário da empresa e mais três pessoas, na deflagração da Operação Voldemort. De acordo com as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Abi é o verdadeiro dono da oficina e Ieger seria “laranja”.
A Providence ganhou a licitação realizada em dezembro para um contrato emergencial de conserto dos carros do governo do Estado na região. O Ministério Público ofereceu denúncia contra o grupo supostamente liderado por Abi alegando que a licitação foi fraudada.
Souza toca no assunto ao ser questionado pelo promotor Renato Lima Castro sobre uma conversa por telefone que ele manteve com José Carlo Lucca, advogado de Abi e que também é réu no processo – o diálogo foi interceptado com autorização judicial.
Na conversa em questão, Souza diz que “a situação estava ‘complicada’” e afirmava que “o rapaz poderia sair do esquema quando clareasse o negócio”. No depoimento o contador explicou que “o rapaz” era Ismar Ieger e que a expressão “clarear o negócio” se referia à dívida de R$ 280 mil do governo com a oficina pelos serviços já prestados. “Com a efetivação do pagamento, Luiz Abi pretendia receber integralmente o valor pago”, disse Souza ao Ministério Público.
Souza relata no depoimento que foi contratado por Abi através de Lucca para fazer um relatório sobre “a saúde financeira da Providence”, o que seria feito através de “um minucioso relatório”. A contratação do contador foi tratada numa conversa telefônica entre Ieger e Marcelo “Tchello” Caramori, o ex-assessor da Casa Civil, que foi interceptada com autorização judicial.
Procurado pelo JL, o advogado Antônio Carlos Coelho Mendes, que defende Abi, afirmou que mantém a diretriz de não comentar o caso na imprensa. Mauro Martins, advogado de Ieger, afirmou que também não pretende comentar o caso. “Tem muitas coisas ainda para acontecer, decisão para sair, tem gente que pode ser incluída nesse processo e pessoas que serão excluídas”, afirmou. “Prefiro aguardar até a audiência”, completou.  JL.

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