Em discurso no ato de comemoração dos 35 anos do partido, porém, deu uma indireta no PSDB ao declarar que os adversários "não querem mais esperar outra derrota" e, "na falta de votos, buscam atalhos para o poder, manipulando a opinião pública e constrangendo as instituições". A presidente, por sua vez, falou em "golpismo" dos "inconformados com o resultado das urnas".
Dilma, que discursou logo após o antecessor, também apontou para setores que não aceitaram a derrota eleitoral. "Nós temos força para resistir ao oportunismo e ao golpismo inclusive quando ele se manifesta de forma dissimulada. Os que são inconformados com o resultado das urnas só têm medo de uma coisa: da mobilização da sociedade em defesa das instituições e em repúdio a qualquer tentativa de golpe contra a manifesta vontade popular."
O tesoureiro é investigado por suspeitas de intermediar a arrecadação de propinas ao PT por meio de um esquema de corrupção e de cartel na Petrobrás. "O que aconteceu ontem (anteontem) é repugnante", afirmou Lula, conclamando o PT a "voltar pra luta". "Não podemos permitir que quem não tem moral venha dar moral na gente."
Mensalão
Lula, segundo relatos colhidos pelo Estado, comparou as denúncias investigadas pela Lava Jato ao mensalão. "Se a ficarmos quietos, a sentença já está dada." Para o ex-presidente, há uma tentativa de "criminalizar" a legenda. De acordo com participantes da reunião, fechada à imprensa, ele disse que o partido precisa reagir, sob o risco de o Judiciário "julgar (os crimes investigados pela Lava Jato) pela pressão que se cria na sociedade e não pela lei".
Um informe elaborado por Vaccari foi apresentado durante o encontro. No texto, ele falou sobre as finanças do partido e estimou que a legenda vai perder R$ 10 milhões ao ano em receita por causa da diminuição da fatia do Fundo Partidário a que a sigla tem direito. A previsão de queda do recurso, repassado pela União a todas os partidos, é menor em razão da diminuição da bancada na Câmara e do aumento do número de partidos no País.
Ajuste
Já Lula fez uma comparação com o tratamento de um câncer pelo qual passou para defender medidas "duras" e "amargas" que, de acordo com ele, são necessárias para "garantir avanços". Ao citar as sessões de quimioterapia e radioterapia a que teve de se submeter, disse que não houve "nada pior" na vida. "Mas eu era disciplinado e precisava para estar aqui bonitão", brincou.
Em meio a boatos de dificuldade de relação, Lula e Dilma conversaram bastante antes do evento. A presidente e o antecessor, no entanto, não tiveram nenhuma reunião privada e estiveram sempre acompanhados pelo ex-presidente do Uruguai José "Pepe" Mujica ou por outros participantes da cerimônia.
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