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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

CRISE- AUMENTA PROCURA POR ESCOLAS PÚBLICAS NO BRASIL

O aperto financeiro está levando muitos londrinenses a trocar a escola particular pela pública para os filhos. Diretores de colégios estaduais decidiram até criar novas turmas para atender a demanda. O fenômeno também acontece no ensino fundamental, de responsabilidade do Município.
Ricardo Faria, diretor auxiliar do Colégio Estadual Hugo Simas, disse que a procura de alunos oriundos de escolas particulares aumentou bastante. Ontem mesmo, o colégio encaminhou um ofício à Secretaria de Estado da Educação (Seed) para solicitar a abertura de mais uma turma do 6º ano. A rede estadual atende da 6ª à 8ª série do ensino fundamental, além do ensino médio.
“Tomando como exemplo a 6ª série, a gente tinha vagas para 30 alunos, mas uma demanda de 300”, disse Faria. Em outras séries, mais duas turmas foram criadas no Hugo Simas. Não há dúvida, para o diretor auxiliar, de que a explicação para esse aumento está na crise financeira das famílias. O colégio recebe quase 1,8 mil alunos por ano e tem uma limitação natural para atender a todos.
Claudecir Almeida da Silva, diretor do Colégio Estadual Marcelino Champagnat, afirmou que a procura por vagas de alunos oriundos de instituições particulares “é muita” e a demanda será dividida com os demais colégios estaduais da cidade. Até porque, segundo ele, alunos de fora da rede têm prioridade e fazem matrículas desde novembro. “Essas famílias pagam impostos e têm o direito de matricular seus filhos na escola pública num momento de aperto financeiro.”
Almeida da Silva detectou uma particularidade desse fenômeno de migração de alunos da rede particular para a rede pública. “Existe uma demanda maior para a 6ª série, que é a primeira ofertada nos colégios estaduais”, explicou. No Marcelino Champagnat, das seis turmas de 6ª série, três inteiras e mais da metade de uma quarta são formadas por alunos novos.
Rede municipal
O fenômeno acontece também na rede municipal, que oferece até a 5ª série do ensino fundamental. A secretária de Educação do Município, Janet Thomas, confirmou que a procura de famílias que querem transferir os filhos das escolas particulares para as públicas aumentou bastante. A estatística desse movimento, porém, só deve ficar pronta após o carnaval. “Estamos no meio do processo. Eles ainda estão chegando. Não esperávamos essa demanda.”
Para a secretária, são dois os fatores que contribuem para essa mudança: além da crise financeira de muitas famílias, a estabilidade e a qualidade da rede municipal. “Isso [a estabilidade e a qualidade] dá segurança para as famílias procurarem a escola pública.”
Rede privada
O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Norte do Paraná (Sinepe/NPR) não quis se pronunciar sobre o assunto. Já o Sindicato dos Profissionais das Escolas Particulares de Londrina e Norte do Paraná (Sinpro) se limitou a informar que não detectou mudança significativa de matrículas das instituições particulares para as públicas. JL.

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