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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

MINISTÉRIO PÚBLICO INVESTIGA FARRA DE DIÁRIAS EM ABATIÁ


Fiat Siena da prefeitura de Abatiá aguardava pela prefeita Maria de Lourdes Yamagami (à direita) enquanto ela lavava a calçada de sua casa ontem, por volta das 10 horas, em pleno horário de expediente
Assessor jurídico e prefeita retiraram diárias para viagem de quatro dias a Curitiba, mas advogado foi flagrado em Ourinhos (SP) com carro oficial

O Ministério Público Estadual (MPE) está investigando a liberação e o pagamento indiscriminado de diárias dentro da prefeitura de Abatiá. De acordo com o inquérito civil aberto pela promotora de Justiça Flávia Simon Fagundes dos Santos, a medida investiga supostas irregularidades no recebimento de diárias pela prefeita Maria de Lourdes Ferraz Yamagami (DEM) e seus assessores.
O MP já oficiou a democrata pedindo informações, mas até esta quinta-feira, 6, sua assessoria jurídica não havia respondido aos questionamentos da promotora, já que os advogados do município têm 10 dias para dar explicações a partir da notificação.
A investigação do MP partiu depois que uma denúncia comprovou que o carro oficial do gabinete da prefeitura, um Fiat Siena Essence com placas AYN 9767 de Abatiá e de propriedade do município, que fica à disposição da própria prefeita, teria sido recebido duas multas no dia 21 de novembro de 2014, às 4h45 e 4h50 na rua São Paulo e na avenida Jacinto Ferreira de Sá, no centro de Ourinhos (SP).
No pedido de informações, a promotora Flávia dos Santos quer saber se houve instauração de processo administrativo para apurar a responsabilidade na autuação pela infração, se o condutor do veículo foi identificado e a razão pelo qual o carro oficial estava sendo usado durante a madrugada.
No entanto, no dia 21 de novembro, uma sexta-feira, quem usava o carro oficial da prefeitura não era a prefeita e sim um de seus assessores mais próximos. A reportagem conseguiu apurar, que, naquele dia duas pessoas estavam no carro. O motorista, que teve seu nome preservado, e o assessor jurídico da prefeitura, Rodrigo Orlandini Volpato, que viajava como passageiro.
O motorista da prefeitura ainda não foi ouvido pelo MP, mas a reportagem descobriu que naquela madrugada o servidor teria sido chamado por volta das 2 horas para buscar o assessor jurídico da prefeita que estaria no Terminal Rodoviário de Ourinhos. A dúvida do MP surgiu a partir daí, porque no dia 21, Orlandini Volpato deveria estar em Curitiba, já que ele, assim como a própria prefeita Maria de Lourdes Yamagami, teria retirado diárias para cobrir despesas de viagens para a capital entre os dias 19 e 22 de novembro de 2014.
A reportagem tentou consultar o Portal da Transparência da prefeitura de Abatiá desde a última quarta-feira, 4, mas o campo “Transparência Online”, onde a retirada e o pagamento de diárias podem ser conferidos está fora do ar. Porém, documentos adquiridos antes desta data comprovam as retiradas das diárias tanto de Orlandini Volpato quanto de Maria de Lourdes Yamagami.
Volpato retirou R$ 798,15 e a prefeita R$ 1.064,25, valores que cobririam as despesas de viagens entre os dias 19 e 22. A finalidade da ida a Curitiba, de acordo com a justificativa do dois é a mesma: “retorno ao Tribunal de Contas para esclarecimentos sobre a implementação de Contribuição e Melhoria”.
Além de ter que explicar porque estava em Ourinhos quando justificou viajar a Curitiba com dinheiro público, Orlandini também terá que explicar porque usou um veículo da prefeitura, assim como se aproveitou dos serviços de um funcionário do município sem justificativa e sem autorização.
O mais estranho é que as duas multas aplicadas ao veículo naquele dia – que juntas somam R$ 1.685,55 - foram pagas, mas não pela prefeitura. De acordo com o procurador-jurídico do município, Francisco Pimentel de Oliveira, a prefeitura já abriu uma sindicância para descobrir quem pagou a multa antes que ela chegasse à prefeitura e apurar as responsabilidades pelo uso indevido do veículo oficial. Segundo ele, a comissão nomeada para investigar o caso tem 30 dias para apresentar sua conclusão.
A prefeita Maria de Lourdes Yamagami foi procurada ontem para comentar o pagamento de diárias para seu assessor, mas ela não atendeu as ligações no seu gabinete nem no seu celular. A prefeita também não respondeu aos recados deixados com seus assessores e tão pouco atendeu a reportagem em sua casa na manhã de ontem.
A reportagem também tentou falar várias vezes como o assessor jurídico da prefeitura, Rodrigo Orlandini Volpato, mas ele não foi localizado na prefeitura e também não atendeu os telefonemas feitos para o seu celular.   tanosite.com

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