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domingo, 9 de agosto de 2015

EX. DIRETOR DA ELETRONUCLEAR AO SER PRESO AMEAÇOU METER BALA NOS POLICIAIS FEDERAIS QUE CUMPRIRAM MANDO DE PRISÃO


Othon Luiz Pinheiro da Silva foi preso pela Lava Jato.
O ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva, preso no último dia 28 na Operação Lava Jato, resistiu à prisão, ameaçou que “meteria bala” caso os policiais federais arrombassem a porta do quarto onde estava trancado e “partiu para cima” de um agente federal depois que o delegado da PF, responsável pelo cumprimento do mandado de prisão, deu dois chutes na porta para forçá-lo a abrir. Diante da situação, teve de ser imobilizado e algemado.
Vice-almirante da Marinha, Othon Silva estava dormindo quando a PF chegou na casa dele, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O delegado pediu para que a empregada da casa fosse avisá-lo sobre o mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Federal do Paraná. Muito irritado, Silva, ainda trancado no quarto, teria gritado ser um vice-almirante da Marinha e que exigia ser tratado com respeito. Em seguida, ameaçou os policiais e, ao abrir a porta, atacou um deles.
“Mesmo imobilizado algemado, senhor Othon Luiz Pinheiro da Silva continuou inquieto, gritando que não podíamos agir daquela forma, que ele é um vice-almirante da Marinha e que deveria haver no mínimo um vice-almirante da Marinha no local”.
Só depois de ser tranquilizado pelo delegado federal, o ex-presidente da Eletronuclear pode ficar sem as algemas e indicou, a pedido dos policiais, onde estavam suas armas. Foram localizadas várias. Uma pistola ponto 40 e um revólver calibre 38 foram deixados no local, pois tinham registro. Foram encontrados ainda um revólver Colt 357, uma Pistola Glock, calibre 9mm, um Taurus 38 e uma pistola Bayard, calibre 6.35 – os dois primeiros sem registro e os dois últimos, segundo Othon Silva, teriam pertencido a um cunhado já falecido.
Segundo a PF, havia vasta quantidade de documentos da Eletronuclear na casa dele, além de contratos envolvendo empresas e informações referentes à Operação Lava Jato. No escritório dele também havia 45 mil em dinheiro, parte acondicionado numa mala, que Othon Silva diz ser para emergências e para pagamento de funcionários da casa. O dinheiro foi mantido no local, uma vez que a Justiça solicitou a apreensão apenas de valores superiores a R$ 100 mil.
Empresa que depositou para Aratec já havia sido delatada na Lava-Jato
Nesta quinta-feira (6), o juiz Sergio Moro transformou a prisão temporária de Silva em prisão preventiva depois de serem encontradas provas de que ele teria recebido propina de contratos fechados pela Eletronuclear.
Ao decretar a preventiva, Moro ressaltou que a Aratec, empresa do vice-almirante da Marinha, triplicou seu faturamento depois da retomada das obras de Angra III. O faturamento da empresa saltou de R$ 396,9 mil em 2009 para R$ 1,581 milhão em 2010, mantendo se acima de R$ 1 milhão nos três anos seguintes.
Silva havia justificado que os recebimentos tinham sido por serviços prestados pela filha dele, Ana Cristina Toniolo, que é engenheira e também tradutora de documentos técnicos da área de engenharia.
A defesa de Ana Cristina apresentou como comprovação de serviços prestados um texto sobre processos de produção de combustíveis. Para Moro, o texto é “mera reprodução de artigo que pode ser encontrado na rede mundial de computadores” e foi apresentado no 2º Congresso Brasileiro de P&D em Petróleo e Gás, “sem qualquer relação o texto original com a Aratec, Othon Luiz ou Ana Cristina”.
O juiz afirmou que a CG Consultoria, que foi a principal pagadora da Aratec entre 2007 e 2014 – pagou R$ 2.699.730,00 de um total de R$ 4.692.346,92 – não tem funcionários e já apareceu na Operação Lava Jato como mera fornecedora de notas. O delator da Lava Jato Augusto Mendonça Neto afirmou que já havia comprado notas fiscais e firmado contrato falso com a CG para gerar dinheiro em espécie. Moro ressaltou que a empresa apenas repassou valores que tinham sido depositados pela Andrade Gutierrez.
Moro também concluiu que outra depositante da Aratec, a JNobre, também repassou propina. O dono da empresa disse em depoimento que o dinheiro que recebeu da Andrade Gutuierrez – depois repassado à Aratec – não tinha nada a ver com a usina de Angra III. O juiz observou que, nas notas fiscais da empreiteira, os serviços foram lançados como relacionados à Angra III. “Isso significa que, aparentemente, Josue Augusto Nobre mentiu em seu depoimento”, afirmou Moro.

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