Sem financiamento empresarial, lideranças partidárias tradicionais avaliam que o momento será propício para campanhas mais setoriais, colocando igualdade na disputa
Embora os parlamentares tenham mantido as doações de pessoas jurídicas nas votações realizadas no Congresso Nacional, o entendimento é certo no governo sobre o veto da presidente Dilma Rousseff ao item, considerando a inconstitucionalidade apontada pela instância máxima do judiciário. Não é difícil identificar a importância dos grandes empresários nas campanhas políticas; basta acessar a prestação de contas dos candidatos e partidos no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde estão listados inúmeros conglomerados econômicos que injetam verbas na disputa.
O presidente do PT estadual e deputado estadual Enio Verri, apesar de cauteloso quanto à igualdade de forças, apenas com a decisão do STF, reconheceu o avanço. Para ele, ainda haverá candidatos com mais poder econômico do que outros. "É claro que ainda teremos os candidatos que são empresários bem-sucedidos e que terão bom financiamento. Imagina um dono de hospital, com todos os médicos doando 10% dos rendimentos para a campanha. Claro que dará um bom dinheiro", disse Verri. "Mesmo assim não chegará aos valores de hoje", concluiu o petista.
Para o deputado, o fim do financiamento empresarial vai ajudar a recuperar o "conceito do coletivo na política". "Você não é candidato de você mesmo, você representa um setor, então, serão as lideranças de fato e não as lideranças com dinheiro que vão ter apoio. Acho que o mandato volta a ser da população", falou Verri.
Segundo o vice-presidente do PSDB no Paraná e deputado federal Luiz Carlos Hauly, haverá mudanças profundas na forma de fazer campanha. "É uma situação nova, pois só com doação de pessoa física não dá para fazer campanha eleitoral nos padrões de hoje. Com o dinheiro do Fundo Partidário, não daria nem pra começar, pois ele mal paga as despesas administrativas dos partidos."
O presidente do PMDB de Londrina, João Mendonça, avalia que o excesso de dinheiro deixa a eleição desigual. "Hoje tem candidato a vereador que gasta mais do que candidato a prefeito. Agora serão campanhas mais setoriais, como se fosse campanha distrital." Ele lembrou de quando foi vereador, com maioria de votos na zona sul da cidade. "Sem dinheiro, tive uma campanha intensa na região." Folha Londrina.
Migrações e leilão
Outras mudanças que desagradaram os organizadores das campanhas eleitorais foram a redução do prazo de filiação – de um ano para seis meses antes do pleito – e a janela para migrações entre partidos sem risco de perder o mandato por infidelidade. Para o secretário-geral do PSC no Paraná, Lineu Tomass, "vai haver um leilão, com o pré-candidato em ano eleitoral se oferecendo para diversos partidos, para ver quem dá mais antes dele decidir em qual vai se filiar". Conforme a lei em vigor, qualquer pretenso candidato em 2016 deveria definir a sua filiação a um partido político até o próximo dia 2 de outubro.
O deputado Hauly aposta no veto da presidente a extensão do prazo, aprovada no Congresso. Por outro lado, o petista Verri negou. "Dilma não vai interferir."
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