Rafael Fantin/Equipe Folha
Já em relação aos valores da propina exigida, Flore revelou que os fiscais costumavam cobrar 20% do valor total do imposto devido pelo empresário. Ou seja, se o procurado devia R$ 2 milhões em tributos ao Estado, era motivado a pagar R$ 400 mil de vantagem indevida à organização criminosa. Entretanto, de acordo com ele, tudo dependia da capacidade financeira do pagador da propina. "Era uma negociata bilateral, que atendia interesses de ambas as partes", completou. O delegado revelou, ainda, que alguns empresários chegaram a pagar propina em troca da liberação de créditos tributários.
Alan Flore também questionou o fato de grande parte dos presos durante a segunda fase da Publicano já ter obtido direito à liberdade no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Na avaliação dele, a soltura dos suspeitos pode motivar a continuidade dos crimes na Receita. "O grupo criminoso agia de forma bastante incisiva e rotineira. As prisões preventivas são importantes até mesmo para estancar as ações que estavam sendo praticadas no órgão há muito tempo", argumentou. De acordo com as investigações, o esquema existia na Receita desde 1985.
O período foi revelado ao MP pelo auditor fiscal Luiz Antônio de Souza, que passou a colaborar com as investigações no mês passado após o fechamento de um acordo de delação premiada. O delator também disse, em depoimento, que a campanha à reeleição do governador Beto Richa (PSDB) teria recebido pelo menos R$ 4 milhões do esquema de cobrança de propina. Questionado sobre o fato, Flore limitou-se a dizer que os valores ainda serão apurados por uma auditoria. Ele também adiantou que, até o momento, nenhuma autoridade com foro privilegiado, caso do governador, foi investigada pelo Gaeco. "Não houve manifestação por parte da polícia ou do Ministério Público para o deslocamento de competência", lembrou.
Alan Flore destacou, ainda, que a segunda fase da Publicano conseguiu mostrar que a organização criminosa sofria uma grande influência por parte dos funcionários do alto escalão da Receita Estadual.(colaborou Rafael Fantin, da Folha de Londrina)
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