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quinta-feira, 12 de maio de 2016

FALSA EMPRESA DE LONDRINA MOVIMENTOU MAIS DE R$ 500 MILHÕES

Na quinta fase da Operação Publicano, deflagrada nesta quinta-feira (12) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público (MP), o auditor da Receita Estadual de Londrina Luiz Antonio de Souza, principal delator do esquema, voltou a ser o foco das investigações. A operação recebeu o nome de 'Duroc', em alusão a uma raça de porco. 

O juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio, expediu mandado de prisão preventiva porque ele teria praticado crime de extorsão contra empresário do setor de frigoríficos de Quatiguá (Norte Pioneiro). Também teve a prisão decretada a irmã de Souza, Rosângela Semprebom, que também é auditora e fez acordo de delação premiada. Ela teria ido pessoalmente a Quatiguá para exigir, em nome do irmão, valores para que ele não incluísse o empresário na delação. 

Rosângela estava em liberdade e acabou presa nesta quinta-feira (12), assim com o empresário Aparecido Domingues dos Santos, conhecido como "Dinho do Porco". Já Souza cumpre pena na unidade um da Penitenciária Estadual de Londrina com saída prevista daqui 47 dias. Ele foi preso em flagrante em 13 de janeiro do ano passado com uma adolescente em um motel, e responde a vários processos por exploração sexual de adolescente. 

Ao assinar acordo de colaboração premiada, em maio do ano passado, Souza admitiu dezenas de crimes na Receita, crimes sexuais, e delatou dezenas de colegas e empresários. Em contrapartida, ficaria preso em regime fechado apenas até 30 de junho, quando poderia cumprir prisão domiciliar. 

Também foi preso outro empresário do setor de frigoríficos, Antonio Luiz da Cruz. A 14 pessoas, incluindo o auditor Márcio de Albuquerque Lima, apontando nas fases anteriores como líder da suposta organização criminosa incrustada na Receita, o juiz negou a prisão preventiva, mas aplicou medida cautelar de uso de tornozeleira; foram também expedidos 20 mandados de condução coercitiva para que investigados prestassem depoimentos; e 36 mandados de busca e apreensão em 12 cidades do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. 

Nesta fase, a investigação chegou a empresários, autoridades e laranjas envolvidos em um esquema de cobrança de propinas na Receita Estadual do Paraná. Os mandados abrangem outras nove cidades: Curitiba, Maringá, Assaí, Joaquim Távora, Siqueira Campos, Quatiguá (todas no Paraná), Campo Grande (Mato Grosso do Sul), Fartura e Barão de Antonina (ambas no estado de São Paulo). 

Os promotores não deram qualquer detalhe sobre o motivo da necessidade da prisão de Souza, mas aventaram a possibilidade de rescisão do acordo de delação premiada. "Até o final do inquérito, faremos uma avaliação das medidas a serem tomadas", disse a promotora Leila Schimiti. Como há réus presos, o prazo para finalizar o inquérito é de 10 dias. 

Em favor de Souza, o advogado Eduardo Duarte Ferreira, disse também que em depoimento prestado no ano passado seu cliente já havia "detalhado" informações sobre como Dinho do Porco sonegava impostos. "Não acredito que o acordo será rescindido. Acredito no bom senso do Ministério Público porque ele colaborou sobremaneira com as investigações e porque já havia delatado o esquema do setor de frigoríficos". 

De acordo com o MP, o empresário de Quatiguá pagava R$ 100 mil por mês aos auditores para manter o esquema funcionando. Em pouco mais de um ano, o Ministério Público apurou que as empresas movimentaram cerca de R$ 1 bilhão entre os anos de 2013 e 2015. Apenas uma instituição fictícia de Londrina movimentou R$ 500 milhões no esquema criminoso. Dos auditores detido, sete já são réus em ações originadas da Publicano. 

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