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terça-feira, 15 de maio de 2018

DELATOR DIZ QUE DINHEIRO DE ESCOLAS FORAM DESVIADOS PARA CAMPANHA DE TIAGO AMARAL

A investigação apura desvios de R$ 20 milhões da construção
 e reforma de escolas estaduais.  No depoimento, prestado 
na semana passada, o delator explicou como funcionava 
o esquema de desvios e revelou nomes de políticos que, 
segundo ele, se beneficiaram da fraude.   O processo, 
que tramita na Justiça Estadual, está na fase de novos 
interrogatórios de parte dos réus. A Justiça diz esperar 
agora mais um depoimento do ex-diretor da Secretaria
 Estadual de Educação do Paraná (Seed) Maurício Fanini,
 que está preso em Brasília.   No interrogatório, o dono 
da construtora reafirmou o que disse na delação que fez 
em Brasília e que foi homolagada pelo ministro do Supremo 
Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, relator da Quadro Negro na
 corte. 

Valdir Rossoni e campanha de Beto Richa

No depoimento, o delator contou que houve pagamento 
de propina para assessor do deputado federal Valdir Rossoni 
(PSDB), Gerson Nunes, relacionado a obras em Bituruna,
 no sudeste do Paraná.
O dono da construtora também afirmou que chegou a dar 
dinheiro, em 2014, para ajudar em campanhas futuras do 
ex-governador Beto Richa (PSDB), do irmão dele e ex-
secretário de Infraestrutura e Logística, Pepe Richa, e
 do filho Marcello Richa. A defesa de Valdir Rossoni 
afirmou que Eduardo Lopes de Souza falta com a verdade 
e não sabe porque Rossoni teve o nome mencionado pelo 
delator. A defesa afirma, ainda, que quando se manifestar 
no processo, os fatos serão esclarecidos.
O advogado de Gerson Nunes disse que o cliente teve 
um ou dois contatos com o delator e que nunca tratou
 dos assuntos relatados por ele.   Informou também que, 
como ocupava o cargo de chefe de gabinete da presidência
 da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), tinha que 
receber várias pessoas.
A defesa de Mauricio Fanini disse que não vai se manifestar.
 A reportagem ainda não teve retorno da defesa de Pepe
 Richa.   Já Marcelo Richa afirmou que as suposições 
do dono da construtora são inverídicas e sem provas. 
Ele rechaçou que tenha recebido dinheiro e ressaltou 
que não conhece ou teve qualquer contato com Souza. 
  Beto Richa e o PSDB disseram que são falsas as 
informações prestadas por um criminoso confesso que
 busca se livrar dos graves crimes cometidos e tenta, 
sem fundamento ou prova, envolvê-los nesses ilícitos.  
 O ex-governador afirmou também que tão logo teve
 conhecimento das denúncias sobre fraudes na construção
 das escolas, determinou a imediata realização de inves-
tigação que deram início à Operação Quadro Negro.  
 Disse, ainda, que os servidores públicos envolvidos 
foram demitidos, e ações judiciais determinaram o
 bloqueio de bens para o ressarcimento dos cofres 
públicos.

Pessoas ligadas a Richa e dinheiro para 

Ademar Traiano

No interrogatório, o delator revelou a participação do 
ex-diretor da Seed Maurício Fanini e de Luiz Abi, 
Ezequias Moreira e Ricardo Rached, pessoas ligadas
 ao ex-governador, na arrecadação de dinheiro para a 
campanha de reeleição de Richa.    Souza relatou
 também entregas de dinheiro pessoalmente ao presidente
 da Alep, Ademar Traiano (PSDB), dentro da assembleia 
e na cada do deputado. O dinheiro, segundo ele, era
 para ajudar na campanha eleitoral. A defesa de Ricardo
 Rached afirmou que a delação não apresenta prova, 
que ele não trabalhou na campanha política de Beto Richa
 em 2014, que não conhece Souza e nunca teve qualquer
 proximidade com Fanini.    O advogado de Luiz Abi 
declarou que ele jamais trabalhou para captação de recursos
 da campanha do ex-governador.    A defesa de Ezequias
 Moreira disse que ele não é investigado e foi ouvido 
como declarante, que ele respondeu a todas as perguntas
 em respeito e colaboração com as investigações. O 
advogado também afirmou que as informações do réu 
delator não são verdadeiras e durante o processo as 
mentiras serão desmascaradas.   Ademar Traiano afirmou, 
em nota, que assegura a lisura das suas ações e que a
 Justiça deve agir na plenitude de suas competências.

Deputados, presidente do TCE, Cida Borghetti 

e Ricardo Barros

O dono da construtora Valor afirmou que pediu dinheiro 
extra ao deputado estadual Plauto Miró (DEM) para tocar
 obras de escolas. Segundo ele, o deputado cobrou
 pedágio de 10% para liberar o dinheiro do aditivo.   
Souza também disse que repassou dinheiro das obras
 das escolas estaduais para o caixa dois da campanha
 do então candidato a deputado estadual Tiago Amaral 
(PSB), em 2014.   O pai dele, Durval Amaral, presidente 
do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR),
 agradeceu pessoalmente a doação, segundo o delator.
Ainda de acordo com o dono da construtora, o então 
deputado federal Ricardo Barros (Progressistas) acertou
 mesada de R$ 15 mil para o cunhado Juliano Borghetti,
 em troca de cargo na vice-governadoria, que era 
ocupada pela mulher dele e irmã de Juliano, Cida 
Borghetti . A defesa de Miró declarou que não vai se
 manifestar a respeito do depoimento.   Durval Amaral 
afirmou que as declarações do delator são uma retaliação,
 que foi ele quem mandou suspender os contratos, 
pagamentos e aditivos das obras, destruindo o
 esquema que Souza participava.   Tiago amaral disse
 que a denúncia não é verdadeira e que quanto mais 
rápido avançarem os procedimentos, antes vai ser 
esclarecido que ele não tem nada a ver com o que está
 sendo investigado.   O PSB afirmou que não recebeu 
nenhuma doação direta para Tiago Amaral e não doou 
para a campanha dele.   Cláudia Gregório, chamada 
de Claudinha no depoimento, não respondeu ao contato
 da reportagem.   A defesa de Juliano Borghetti nega as
 acusações e diz que o depoimento do delator confirma 
mais uma vez que ele não teve qualquer relação com os
 desvios apurados na operação.
Cida Borghetti também negou as acusações e afirmou 
que a funcionária citada no depoimento é concursada e
 nunca cumpriu expediente na vice-governadoria.  Ricardo 
Barros negou a acusação de troca de cargo e informou
 que não pediu qualquer vantagem.   O advogado de 
Marilane Firmino, chamada de Mari no depoimento, 
afirmou que ela não foi denunciada no processo, e, 
por isso, não vai se manifestar.G1

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