A investigação apura desvios de R$ 20 milhões da construção
e reforma de escolas estaduais. No depoimento, prestado
na semana passada, o delator explicou como funcionava
o esquema de desvios e revelou nomes de políticos que,
segundo ele, se beneficiaram da fraude. O processo,
que tramita na Justiça Estadual, está na fase de novos
interrogatórios de parte dos réus. A Justiça diz esperar
agora mais um depoimento do ex-diretor da Secretaria
Estadual de Educação do Paraná (Seed) Maurício Fanini,
que está preso em Brasília. No interrogatório, o dono
da construtora reafirmou o que disse na delação que fez
em Brasília e que foi homolagada pelo ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, relator da Quadro Negro na
corte.
Valdir Rossoni e campanha de Beto Richa
No depoimento, o delator contou que houve pagamento
de propina para assessor do deputado federal Valdir Rossoni
(PSDB), Gerson Nunes, relacionado a obras em Bituruna,
no sudeste do Paraná.
O dono da construtora também afirmou que chegou a dar
dinheiro, em 2014, para ajudar em campanhas futuras do
ex-governador Beto Richa (PSDB), do irmão dele e ex-
secretário de Infraestrutura e Logística, Pepe Richa, e
do filho Marcello Richa. A defesa de Valdir Rossoni
afirmou que Eduardo Lopes de Souza falta com a verdade
e não sabe porque Rossoni teve o nome mencionado pelo
delator. A defesa afirma, ainda, que quando se manifestar
no processo, os fatos serão esclarecidos.
O advogado de Gerson Nunes disse que o cliente teve
um ou dois contatos com o delator e que nunca tratou
dos assuntos relatados por ele. Informou também que,
como ocupava o cargo de chefe de gabinete da presidência
da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), tinha que
receber várias pessoas.
A defesa de Mauricio Fanini disse que não vai se manifestar.
A reportagem ainda não teve retorno da defesa de Pepe
Richa. Já Marcelo Richa afirmou que as suposições
do dono da construtora são inverídicas e sem provas.
Ele rechaçou que tenha recebido dinheiro e ressaltou
que não conhece ou teve qualquer contato com Souza.
Beto Richa e o PSDB disseram que são falsas as
informações prestadas por um criminoso confesso que
busca se livrar dos graves crimes cometidos e tenta,
sem fundamento ou prova, envolvê-los nesses ilícitos.
O ex-governador afirmou também que tão logo teve
conhecimento das denúncias sobre fraudes na construção
das escolas, determinou a imediata realização de inves-
tigação que deram início à Operação Quadro Negro.
Disse, ainda, que os servidores públicos envolvidos
foram demitidos, e ações judiciais determinaram o
bloqueio de bens para o ressarcimento dos cofres
públicos.
Pessoas ligadas a Richa e dinheiro para
Ademar Traiano
No interrogatório, o delator revelou a participação do
ex-diretor da Seed Maurício Fanini e de Luiz Abi,
Ezequias Moreira e Ricardo Rached, pessoas ligadas
ao ex-governador, na arrecadação de dinheiro para a
campanha de reeleição de Richa. Souza relatou
também entregas de dinheiro pessoalmente ao presidente
da Alep, Ademar Traiano (PSDB), dentro da assembleia
e na cada do deputado. O dinheiro, segundo ele, era
para ajudar na campanha eleitoral. A defesa de Ricardo
Rached afirmou que a delação não apresenta prova,
que ele não trabalhou na campanha política de Beto Richa
em 2014, que não conhece Souza e nunca teve qualquer
proximidade com Fanini. O advogado de Luiz Abi
declarou que ele jamais trabalhou para captação de recursos
da campanha do ex-governador. A defesa de Ezequias
Moreira disse que ele não é investigado e foi ouvido
como declarante, que ele respondeu a todas as perguntas
em respeito e colaboração com as investigações. O
advogado também afirmou que as informações do réu
delator não são verdadeiras e durante o processo as
mentiras serão desmascaradas. Ademar Traiano afirmou,
em nota, que assegura a lisura das suas ações e que a
Justiça deve agir na plenitude de suas competências.
Deputados, presidente do TCE, Cida Borghetti
e Ricardo Barros
O dono da construtora Valor afirmou que pediu dinheiro
extra ao deputado estadual Plauto Miró (DEM) para tocar
obras de escolas. Segundo ele, o deputado cobrou
pedágio de 10% para liberar o dinheiro do aditivo.
Souza também disse que repassou dinheiro das obras
das escolas estaduais para o caixa dois da campanha
do então candidato a deputado estadual Tiago Amaral
(PSB), em 2014. O pai dele, Durval Amaral, presidente
do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR),
agradeceu pessoalmente a doação, segundo o delator.
Ainda de acordo com o dono da construtora, o então
deputado federal Ricardo Barros (Progressistas) acertou
mesada de R$ 15 mil para o cunhado Juliano Borghetti,
em troca de cargo na vice-governadoria, que era
ocupada pela mulher dele e irmã de Juliano, Cida
Borghetti . A defesa de Miró declarou que não vai se
manifestar a respeito do depoimento. Durval Amaral
afirmou que as declarações do delator são uma retaliação,
que foi ele quem mandou suspender os contratos,
pagamentos e aditivos das obras, destruindo o
esquema que Souza participava. Tiago amaral disse
que a denúncia não é verdadeira e que quanto mais
rápido avançarem os procedimentos, antes vai ser
esclarecido que ele não tem nada a ver com o que está
sendo investigado. O PSB afirmou que não recebeu
nenhuma doação direta para Tiago Amaral e não doou
para a campanha dele. Cláudia Gregório, chamada
de Claudinha no depoimento, não respondeu ao contato
da reportagem. A defesa de Juliano Borghetti nega as
acusações e diz que o depoimento do delator confirma
mais uma vez que ele não teve qualquer relação com os
desvios apurados na operação.
Cida Borghetti também negou as acusações e afirmou
que a funcionária citada no depoimento é concursada e
nunca cumpriu expediente na vice-governadoria. Ricardo
Barros negou a acusação de troca de cargo e informou
que não pediu qualquer vantagem. O advogado de
Marilane Firmino, chamada de Mari no depoimento,
afirmou que ela não foi denunciada no processo, e,
por isso, não vai se manifestar.G1
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