.

.

quinta-feira, 16 de março de 2017

TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL NEGA PEDIDO DE LIBERDADE AO DELEGADO SANDRO VIANNA

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre, negou o pedido de liberdade feito pela defesa do delegado federal Sandro Vianna. Ele foi preso dia 25 de fevereiro em Londrina, no norte do Paraná, quando dividia uma propina de R$ 35 mil com um intermediador que o auxiliou a extorquir o dinheiro de um empresário da cidade, segundo as investigações.
Operação Corrumpere, realizada pela Polícia Federal (PF) de Brasília (DF), também prendeu Clodoaldo Pereira dos Santos, diretor de uma empresa de segurança conhecido como Tigrinho. Ele estava com R$ 35 mil reais que, conforme as investigações, seriam propina.  De acordo com a polícia, Tigrinho teria recebido o dinheiro de um empresário a pedido do delegado Sandro Viana.
Documentos obtidos pelo Paraná TV mostram que o empresário foi absolvido na Operação Publicano – que apura um suposto esquema de fraude milionária na Receita Estadual do Paraná – porque colaborou com a investigação. Apesar da absolvição, ele passou a responder pelos mesmos crimes em outro inquérito policial sob responsabilidade do delegado Sandro Vianna.
A propina, segundo a PF, serviria para o delegado arquivar esse inquérito. A equipe de inteligência da PF passou a monitorar as negociações e gravou conversas telefônicas com autorização da Justiça.
Numa delas, Tigrinho diz ao empresário que o delegado não iria “atrapalhar a vida de um cara bom”.
Questionado sobre o custo para um acerto, Tigrinho respondeu que o delegado “não, ele falou assim, ele sabe quanto vale, entendeu!”.
Em outra gravação, Tigrinho liga direto para o delegado. Veja um trecho da conversa:
“delegado Sandro Vianna: Fala Tiger!
Tigrinho pergunta: como que entra aqui?
Delegado Sandro Vianna: tô descendo aí... te pegar! tô descendo aí!”
Segundo o inquérito, trata-se de um encontro, que ocorreu em 6 de fevereiro de 2017, nas dependências da delegacia da PF, em Londrina.
A propina teria sido acertada em seguida e, duas semanas depois, os dois tiveram a prisão preventiva decretada.
Tigrinho continua preso em Londrina e Sandro Vianna foi levado pra Brasília. Os dois entraram com pedidos de liberdade provisória, que foram recusados pelo TRF4.
Na decisão referente ao delegado, de segunda-feira (13), o relator do habeas corpus, o desembargador federal Márcio Antônio Rocha, aponta que há elementos de materialidade e autoria do crime de corrupção.
Sandro Vianna deve responder pelos crimes de corrupção, organização criminosa e peculato, que é a apropriação de dinheiro por servidor público. O inquérito aponta que o delegado se aproveitou da função pública para obter vantagens pessoais.

“Tal conduta revela a mercancia do agente com a função pública, presente o necessário nexo entre a vantagem solicitada e a atividade exercida pelo corrupto. Logo aquele que deveria envidar seus esforços para coibir o crime”, diz trecho do inquérito citado na decisão.
Tigrinho deve ser indiciado por corrupção e organização criminosa. O desembargador entede que a prisão preventiva fo fundamentada em elementos concretos.
"O fato de já terem sido cumpridos os mandados de busca e apreensão não é suficiente para que se conclua, como quer a defesa, que as investigações não avançarão, haja vista que ainda não foi concluído o inquérito policial", argumenta o magistrado.

O que dizem as defesas
O advogado de Sandro Vianna disse que ingressaria nesta quarta-feira (15) na Justiça Federal, em Londrina, com um pedido de relaxamento da prisão enquanto aguarda o julgamento do mérito habeas corpus no TRF4.
A defesa afirmou, ainda, que solicitou uma perícia particular para comprovar que a voz, citada nas interceptações telefônicas, não é do delegado Sandro. O advogado alega ainda que os R$ 20 mil reais que seriam entregues ao delegado por Clodoaldo Pereira dos Santos, durante a prisão em flagrante, seriam um empréstimo pessoal.
Já o advogado de Clodoaldo afirmou que ele somente intermediou a entrega dos R$ 35 mil, apreendidos com o seu cliente durante a prisão em flagrante.
De acordo com o advogado, o empresário que teria sido extorquido é amigo de Tigrinho e teria pedido para que ele entregasse o dinheiro ao delegado, mas sem esclarecer os motivos do repasse. A defesa de Clodoaldo também deverá ingressar esta semana com um pedido de liberdade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário