.

.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL DIZ QUE VAI RECORRER DA SENTENÇA DE SÉRGIO MORO

Ministério Público Federal (MPF) disse na noite desta quarta-feira (12),
 que vai recorrer da sentença que condenou o ex-presidente Luiz
 Inácio Lula da Silva a nove anos e meio de prisão. Os procuradores
 que integram a força-tarefa da Lava Jato dizem que discordam de
 alguns pontos da decisão do juiz Sérgio Moro. No entanto, eles 
elogiaram a sentença.
Em nota enviada à imprensa, os procuradores dizem que devem 
pedir o aumento das penas aplicadas aos réus. Eles também
 reiteraram a condenação, que impede o ex-presidente de ocupar
 cargos públicos pelo dobro do tempo da condenação.
"As robustas provas levaram à condenação do ex-presidente a 
cumprir 9 anos e 6 meses de prisão e a pagar, a título de indenização, 
16 milhões de reais corrigidos desde dezembro de 2009. (...) Como
 efeito da condenação criminal, nos termos da lei, da mesma forma 
que em casos similares, a Justiça decretou sua interdição para exercer
 qualquer cargo ou função pública pelo dobro do tempo da condenação, 
isto é, por 19 anos", diz trecho da nota.
Os procuradores da força-tarefa também criticaram a atuação dos 
advogados de Lula. Na nota, eles dizem que a instituição atuou de
 forma "apartidária e técnica" e que buscou "investigar e responsabilizar 
todas as pessoas envolvidas em atos de corrupção, além de devolver 
aos cofres públicos os valores desviados nesse gigantesco esquema 
"Mais uma fez, fica manifesto que os constantes ataques da defesa 
do ex-presidente contra o julgador, os procuradores e os delegados, 
conforme constatou a respeitável decisão, são uma estratégia de 
diversionismo, isto é, uma tentativa de mudar o foco da discussão do
 mérito para um suposto antagonismo que é artificialmente criado 
unilateralmente pela defesa. Nenhuma das autoridades que atua no
 caso o faz com base em qualquer tipo de questão pessoal", diz o texto.  

Outro lado

Cristiano Zanin Martins, que lidera o grupo de advogados, afirmou
 que o ex-presidente Lula é inocente.
"O presidente Lula é inocente. Por mais de três anos, Lula tem 
sido objeto de uma investigação politicamente motivada. Nenhuma
 evidência crível de culpa foi produzida, enquanto provas 
esmagadoras de sua inocência são descaradamente ignoradas",
 diz a nota assinada pelos advogados Cristiano Zanin Martins e 
Valeska Teixeira Zanin Martins.

Veja a íntegra da nota do MPF

Justiça Federal condena o ex-presidente Lula com base em atuação
 técnica e calcada em robustas provas
Força-tarefa da Lava Jato do MPF/PR vai recorrer, inclusive para 
aumentar as penas
A força-tarefa da operação Lava Jato do Ministério Público Federal 
no Paraná (MPF/PR) vem a público reconhecer que a sentença que 
condenou o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva ostenta robusta 
fundamentação fática e jurídica, tendo analisado todo o enorme
 conjunto de provas apresentadas na denúncia e nas peças das
 defesas e produzidas na instrução da ação penal. O processo 
tramitou às claras, com transparência, e permitiu amplas possibi-
lidades para a defesa produzir provas e apresentar argumentos, 
os quais foram analisados detalhadamente pela Justiça.
Com base nas provas, as quais incluem centenas de documentos,
 testemunhas, dados bancários, dados fiscais, fotos, mensagens 
de celular e e-mail, registros de ligações telefônicas e de reuniões, 
contratos apreendidos na residência de Lula e várias outras evidên-
cias, a Justiça entendeu que o ex-presidente Lula é culpado pelos 
crimes de corrupção e lavagem de dinheiro de que foi acusado pelo
 Ministério Público Federal.
A sentença não só reconheceu que o ex-presidente recebeu o valor
 correspondente ao tripex e as reformas feitas nele a título de 
pagamento de propinas pela OAS, que totalizaram mais de 2
 milhões de reais, mas também que o ex-presidente Lula é 
responsável pelo esquema de corrupção na Petrobras. O caso
 focou especificamente nos crimes relacionados à empreiteira 
OAS.  As robustas provas levaram à condenação do ex-presidente 
a cumprir 9 anos e 6 meses de prisão e a pagar, a título de i
ndenização, 16 milhões de reais corrigidos desde dezembro de
 2009. Também foram condenados os ex-executivos da OAS 
Agenor Franklin e Léo Pinheiro. Como efeito da condenação 
criminal, nos termos da lei, da mesma forma que em casos 
similares, a Justiça decretou sua interdição para exercer 
qualquer cargo ou função pública pelo dobro do tempo da
 condenação, isto é, por 19 anos.
Mais uma fez, fica manifesto que os constantes ataques da defesa
 do ex-presidente contra o julgador, os procuradores e os delegados,
 conforme constatou a respeitável decisão, são uma estratégia de 
diversionismo, isto é, uma tentativa de mudar o foco da discussão 
do mérito para um suposto antagonismo que é artificialmente criado 
unilateralmente pela defesa. Nenhuma das autoridades que atua 
no caso o faz com base em qualquer tipo de questão pessoal.
A atuação da instituição é apartidária, técnica e busca investigar e
 responsabilizar todas as pessoas envolvidas em atos de corrupção,
 além de devolver aos cofres públicos os valores desviados nesse 
gigantesco esquema criminoso. A ação penal contra o ex-presidente 
Lula é uma dentre várias que foram propostas na Lava Jato contra 
centenas de pessoas acusadas por corrupção. As investigações 
revelaram a prática de crimes por integrantes da cúpula do poder
 econômico e do poder político, envolvendo diversos partidos, sendo 
necessário que todos os responsáveis sejam chamados a responder 
perante a Justiça.
O Ministério Público Federal tem cumprido seu papel constitucional 
no combate à corrupção, ainda que envolva os mais importantes 
líderes políticos do país. É importante que outras instituições, como 
o Congresso Nacional, também exerçam seu papel contra a
 corrupção, para que a Justiça possa funcionar plenamente e em 
relação a todos aqueles contra quem pesam provas da prática de
 corrupção.  Tudo reforça o caráter apartidário, técnico e minucioso
 do trabalho desenvolvido pelo Ministério Público Federal. Como 
ressaltou o eminente Juiz Federal na sentença condenatória, “não
 há qualquer dúvida de que deve-se tirar a política das páginas
 policiais, mas isso se resolve tirando o crime da política e não a
 liberdade da imprensa” - e complementamos, isso se resolve sem
 retirar a independência do Ministério Público e a possibilidade de o 
Poder Judiciário examinar graves acusações independentemente
 de quem seja o investigado. Por fim, a força-tarefa informa que vai
 recorrer da sentença, manifestando a sua discordância em relação 
a alguns pontos da decisão, inclusive para aumentar as penas.

Protesto

Um pequeno grupo de manifestantes foi em frente ao prédio da 
Justiça Federal em Curitiba, no bairro Ahú, para comemorar a 
condenação do ex-presidente Lula. Com roupas em verde e 
amarelo, eles ovacionaram o juiz Sérgio Moro. Não houve 
tumultos registrados.G1

Nenhum comentário:

Postar um comentário